Não vou me ater ao que ocorreu com os torcedores no PV antes da goleada do Ceará sobre o Tiradentes por 5x1, nesta quarta-feira. O episódio envolvendo confusão, despreparo, ausência de fiscais para verificar a entrada, catracas quebradas, bomba de efeito moral, furtos e roubos foi apenas um entre tantos envolvendo também partidas do Fortaleza.
Estranho realmente quem se surpreende com algo assim, totalmente comum no futebol cearense e no futebol brasileiro, onde os dirigentes se preocupam com tudo (brigar, principalmente), menos em melhorar. Campanhas educativas, prevenção, atenção com a responsabilidade objetiva de organizador um jogo, orientações corretas com fiscais contratados pelos clubes, organização, gentileza e respeito não constam nos manuais de quem tem o comando.
Os torcedores também têm sua enorme parcela de culpa, mas não parecem se incomodar. Sabem do ambiente inóspito e estão pouco ligando se vão ter conforto. É algo indiferente para gente que não conhece e nem faz questão de conhecer o valor de ir a um evento esportivo educadamente, respeitando o direito do outro e sendo respeitado, sentando em cadeiras numeradas, que não machucam as costas e tendo à sua disposição serviços decentes e justos de segurança, alimentação e higiene. São os omissos felizes, mas que colaboram essencialmente para o Status Quo.
Já aqueles que eventualmente se acham vítimas da violência e da confusão nada fazem de concreto em busca de seus direitos. No máximo mostram indignação diante de um teclado de computador, muito pouco diante do leque de opções disponíveis para reclamar de verdade. Mas aí entra em campo o medo. É muito melhor engolir calado o absurdo de ter seu direito de cliente violado do que tomar uma atitude contra o seu querido e amado clube, que sempre está acima do bem e do mal.
No texto não abordei diretamente a responsabilidade da PM, do MP, da Federação e de boa parte da imprensa que adora a confusão, mas é evidente que todos têm grande responsabilidade, tanto por ação, como por omissão.
Em tempo: lendo o blog do jornalista Bruno Formiga concordo totalmente com ele no tamanho do absurdo que é culpar as pessoas que resolvem entrar no estádio faltando pouco tempo para a partida começar. Interpreto tal justificativa como uma anedota.
Pra mim ficou provado que o clássico realmente tem que ser com torcida única. Imagine se com toda aquela confusão de ontem ainda tivessemos a preocupação de a qualquer momento termos batalhas e provocações entre torcidas... a chance de ocorrer algo bem pior era grande.
ResponderExcluirSem profissionalismo, sem preparo, sem educação. TNT.
ResponderExcluirExatamente...
ExcluirProva da incompetência de quem organiza os eventos de futebol. Vou hoje para o PV ver o Fortaleza, sabendo que tenho que madrugar no estádio para poder entrar sem confusões e empurrões.
ResponderExcluirMelhor chegar 5 horas antes...
ResponderExcluirÉ uma pena, mas vc tem razão...abraço.
ResponderExcluirEstive ontem no PV. O que se viu ontem foi visto em jogos passados como contra Corinthinas e Flamengo. A falta de oranização do clube (Evandro Leitão reconheceu que estimava um público de 12 mil pessoas, o que é uum absurdo pois com ingresso de 10 reais, início do mês e vitória no jogo passado era óbvio que lotaria). E aqui não se pode justificar a confusão, pelo preço. O que falta é organização e planejamento. E claro vontade de tratar bem seus torcedores, o que os clubes nã oestão nem aí. No primeiro jogo do Ceará esse ano aconteceu problemas na compra de ingressos, num jogo que não tinha dado 10 mil pessoas, e o diretor financeiro do Ceará,a chando normal, que a culpa não era do ceará. realemnte a culpa é nossa torcedores que somos os abestados da história. E essa de chegar em cima da hora é algo hilário, agora você tem que acampar antes. Só faltava essa. ontem cheguei em cima da hora e nã otive problemas. É bem verdade que fui para as cadeiras, mas isso não é o problema. Repito o que falta é profisionalismo para oragnizar um evento aumentando fiscais nas catracas, nã otratando o torcedor como bicho, o que a PM sempre faz, e ainda ter gente falando que o problema é preço de ingresso. Se tivesse sido cobrado o valor normal teria dado a metade do público. time teria deixado de ganahr dinheiro, veja exmplo do jogo contra o Ferrim. Tem que dar segurança com estádio vazio, com público médio ou lotado. Quanto ao Ceará, placar ilusório, pois o Tiradentes morreu de perder gols. O goleiro desles entregou uns trÊs gols. O miolo de zaga do ceará uma aberração. Sem falar no fraco desmpenho de Romano, Leandro Chaves e Ederson. Tem que melhorar muito, e uma vitória dessa pode iludir muita gente.
ResponderExcluirMais um lamentável episódio do nosso "Egito Tupiniquim". Mas nossas autoridades nem se incomodam, afinal, não morreu ninguém. Tá "bom " demais
ResponderExcluirIr num jogo nessas condições, mesmo manifestando sua insatisfação, no final das contas, é assinar embaixo concordando com tudo o que há de errado.
ResponderExcluirOntem morreu um nas imediações do PV. Também em rodada passada também um torcedor do ceará faleceu. Isso sem falar nos relatos de arrastões. Realmente a situação a cada dia se agrava mais.
ResponderExcluirDepois de muito pensar - e de muito pensar mesmo e de forma séria e coprometida - nesta polêmica sobre as duas torcidas no PV, acredito que tenho finalmente uma opinião. Não definitiva, lógico, mas por enquanto tudo me leva a pensar assim, de posse de todas as ferramentas que trouxemos juntos para esse debate e mais uma pequena frase ouvida hoje que me fez refletir nesse assunto: "football without fans is nothing", dita pelo presidente canadense da umbro.
ResponderExcluirAdoro a divergência nesse assunto, ela é simplesmente salutar. Não a divergência dos presidentes de Ceará e Fortaleza. Essa não, que considero doentia e como uma simples queda de braço. Adoro a divergência da imprensa e da polícia que vêem a impossibilidade das duas torcidas diante do contexto social. Essa postura destas duas instituições é extremamente relevante. Foi aí que me pus a pensar com seriedade: perdemos! E aceitamos a derrota.
Em outro post escrevi: "duas torcidas no PV é um esforço desnecessário para o benefício que há em contra-partida". E agora refaço minha opinião: não! Nunca será esforço desnecessário, até porque o simbólico que está em jogo é simplemente a capacidade humana de auto-organização. Investir recursos e energia nesta obra é simplesmente tudo o que interessa nessa vida.
Por que nos organizamos? Para que nos especializamos e promovemos eventos nesta vida? Será que tudo gira em torno de uma autonomia do capital? Será que ele tomou as rédeas de nossas vidas? Ou nós ainda podemos controlar e escolher o destino desta existência, com liberdade sobre números e pensamentos quantificadores, de acordo com aquilo que acreditamos?
Pode até parecer devaneio de filósofo, mas é exatamente disto que estamos tratando aqui. Somos menos importante que os números que empregamos tanta energia para multiplicar? Façamos a obra! É por nós que ela existe! Não o contrário. Aceitar a derrota é dar um passo atrás. A não ser que esse passo hoje para trás represente dois pra frente no futuro. Do contrário, não concordo com a torcida única.
Esta tragédia anunciada deve ser evitada hoje. Não amanhã. Amanhã estaremos ferrados, todos a sete palmos. E como? Com trabalho, esforço, interesse e inteligência. Mais uma vez a frase acima volta a cutucar na minha cabeça. Vamos promover esse clássico com duas torcidas pois é a única coisa que nos interessa neste assunto.